talvez o segredo esteja em não me apegar às coisas más
segunda-feira
sexta-feira
☁️☁️☁️
a chuva cai, o céu enche-se de cinzento e eu sinto que estou a ser protegida por uma manta de calmaria, dentro de uma redoma onde o tempo é mais simpático. parece que parou de correr e sentou-se finalmente ao nosso lado, com pernas à chinês e um sorriso travesso, mas cheio de cumplicidade. este ano voltei a ser uma grey season girlie, uma canção de fleet foxes e o som das gotas e parece que algo respira dentro de mim depois de meses a prender a respiração. agora vou levantar o rabo do sofá e vou para o tapete tentar perceber se o meu corpo ainda sabe falar comigo e se eu ainda o sei ouvir. boa sexta-feira <3
ouçam, com um cházinho, a mantinha felpuda, mil almofadas e a janela aberta a deixar entrar o som da chuva e a brisa fresca ainda não demasiado fria:
quinta-feira
afinal há uma palavra para aquilo que sinto, para não saber bem estar onde sempre estive, para sentir que as ruas me escapam da mão, que a minha casa não me quer, que a cidade sofre metamorfoses que não consigo acompanhar, que corre corre corre e não espera por mim, para não saber o que esperar de um mundo que até há tão pouco presumia ser um amigo de confiança:
solastalgia
it happened and nothing can take that away from you
i was there i was her
e isso ninguém pode mudar (nem eu)
quarta-feira
terça-feira
quinta-feira
scratch the itch
I would’ve sat there all day for it, and indeed I did.
— chloé williams
aquela frase que lês e que scratches the itch no teu cérebro. tenho uma vela de cereja a arder e são 23:49 de uma quinta-feira de quase outono. o mundo parece ter escutado as minhas preces e abrandado um pouco. anseio pela brisa que se faz sentir, mas o meu corpo ainda não sabe muito bem o que fazer dela. ele parece ter saudades do sol e eu pareço querer envolver-me num outono precoce. construir um ninho e deixar-me estar nele.