quinta-feira


how far up in the post-quarter-of-life-crisis scale (visto que já tenho vinte e seis-quase vinte e sete e já não se lhe pode chamar apenas de quarto de vida) would you place "giving yourself baby bangs while binge watching Fox Comedy after backpacking alone in the balkans for a week and a half and coming back earlier than expected because you ran out of money". ao menos hoje acordei às 7h - sinal de uma adulta funcional. e a franja até ficou gira.

I could not come back the same // this  city's changed, it's not what it was

2/10

hoje fiz a minha primeira tortilha e fi-la bem
não é estranho voltar a casa mas é estranho sentir que nunca cheguei a sair

domingo

“I like not only to be loved, but also to be told that I am loved. I am not sure that you are of the same kind. But the realm of silence is large enough beyond the grave. This is the world of light and speech, and I shall take leave to tell you that you are very dear.”

— George Eliot, “Letter to Georgiana Burne-Jones (1875)”

just

(...) there's something about being so hopelessly lonely that you're like "all I can really do is dance. There's nothing else I can do; I can’t talk this away, I can't fix these problems, I'm just going to go out and dance."
ela diz que o seu pior pesadelo é a repetição
viver no loop
o mesmo erro o mesmo erro o mesmo erro
circling the same old sin
às vezes (demasiadas vezes) tenho medo de ter vindo ao mundo só para viver os meus medos
o meet cute no café; visto em muitos muitos filmes, estás tranquilamente no café onde trabalhas e alguém te olha. tu olhas de volta. acabam a falar da vida, do universo, da cor do céu, de tudo. na vida real, estás a almoçar e passa um grupo de rapazes. um deles fixa assustadoramente o olhar em ti. porque bem, queres escrever um livro um dia destes e viver o que o universo coloca no teu caminho. o rapaz, de facto, voltar atrás, entar no café e, depois de ficar a olhar para ti de forma igualmente assustadora, tentar muito insistentemente ficar com o teu número.


o meet cute na festa; noutros tantos filmes. tu de um lado da festa, a outra pessoa do outro. entreolham-se e o mundo se cala, não há mais barulho nenhum a ser o daquela troca. acabas num café-associação onde querias ir há imenso tempo mas tens demasiada vergonha de ir sozinha porque estar sozinho é estranho com um rapaz que te pergunta "achas que são lésbicas" das raparigas de cabelo curto que estão a ver o concerto à vossa frente e que goza com a entrega da cantora ao seu sacudir de cabelo (meu, é rock, habitua-te). começas a pensar que mais vale parecer estranha do que parecer normal e ter de ouvir merdas destas.

aprender que é bom ter fantasias mas que é melhor que estas continuem a ser apenas isso. aprender que tens vontade de não querer saber mais se pareces estranha, que tens vontade de estar só com tu mesma, que mal podes esperar pelas coisas que vais aprender. dói para cacete fazeres um tête-a-tête com o teu ego, encostar a tua testa na dela e empurrar e empurrar porque no fim de contas és mais forte e vais fazê-la ouvir quando lhe dizes "fogo cala-te meu, já chega". porque não queres encontros, não queres namoricos, não queres uma metade, não queres um propósito com duas pernas. ou melhor, não queres precisar disso para te definir porque na verdade não precisas mesmo. na realidade, queres mesmo é um cão e ombros relaxados.